Política

Delegado Eguchi: a história por trás do fenômeno eleitoral

Com apenas 17 segundos na televisão, ele chegou ao segundo turno em Belém e por muito pouco não virou prefeito

Ele foi candidato à prefeitura de Belém no último pleito e obteve uma votação expressiva, derrotando nomes da política tradicional extensivamente repercutidos na mídia. Chegou ao segundo turno na capital quadricentenária do Pará, em disputa de Davi e Golias, com apenas 17 segundos de televisão e raras inserções na grade das emissoras. Gozando de poucos recursos, provou que é possível rivalizar eleitoralmente contra gigantes sem abrir mão dos valores. O nome dele é Everaldo Jorge Martins Eguchi, o conhecido Delegado Federal Eguchi.

Presidente do Partido Social Liberal (PSL) no Pará há pouco menos de um mês, Delegado Eguchi é formado em Economia e Direito. Casado com a odontóloga Roseane Chagas Mesquita Eguchi e pai de três filhos (Vitor, Pedro e Davi), ele nasceu no município de Tomé-Açu, distante 210 quilômetros da capital, há 57 anos.

Nesta foto, Eguchi no combate a crimes ambientais na Amazônia

Eguchi entrou na Polícia Federal por concurso público e serviu na corporação durante 11 anos, sendo alçado à classe especial (o trabalho se inicia pela terceira classe e vai progredindo com o tempo) pelo seu importante trabalho contra o crime organizado e o tráfico de pessoas.

Além disso, Delegado Eguchi tem atuação destacada no combate ao tráfico de drogas e ao comércio ilegal de madeira na Amazônia. Por este motivo, ele foi chamado à participação na Interpol e também colaborou com a maior iniciativa de combate à corrupção e lavagem de dinheiro da história do Brasil, a Lava Jato.

Nas eleições de 2018, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) resolveu apoiar o nome de Everaldo Eguchi na corrida à Câmara dos Deputados pelo Pará. Ele encerrou a apuração com 52.297 válidos (o equivalente a 1,32%) e uma suplência em sua primeira passagem pelas urnas.

Eguchi deixa claro estreitamento ideológico com Bolsonaro

Já em 2020, fez campanha ao Poder Executivo denunciando a corrupção e as negociatas políticas. Aliou-se aos ideais do presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido), mesmo que este não declarasse apoio abertamente, e conquistou espaço no coração e na mente das pessoas honestas. O resultado foram 167.599 votos no primeiro turno (23,1%) e 364.095 no segundo (48,2%).

Agora, imbuído do propósito de defender o povo do Pará dos grilhões da insegurança e da má-administração, Delegado Eguchi não descarta uma candidatura a governador do estado pelo PSL, mas ainda é cauteloso. Leia a seguir entrevista concedida pelo político ao Portal Debate Carajás nesta sexta-feira (12).

Eguchi durante campanha a prefeito de Belém ladeado de apoiadoras

Deus, Família e Pátria

Debate Carajás: Quem é Delegado Eguchi?

Delegado Eguchi: Excelente pergunta. Meu nome é Everaldo Jorge Martins Eguchi, tenho 57 anos, e sou o atual presidente do PSL no Pará. Minha família paterna é de origem japonesa. Meu avô foi um dos fundadores do município de Tomé-Açu, onde eu nasci. Sou casado, formado em Economia e Direito, tenho três filhos e sou delegado de classe especial da Polícia Federal. Agora eu estou em processo de licenciamento para me dedicar somente à política. Fui até convidado pela Interpol para trabalhar em Singapura, mas declinei porque fui convencido a entrar na política. Eu preferi ajudar meu estado a viver no paraíso com a minha família.

Debate Carajás: Quantas vezes o senhor já concorreu a cargo eletivo e qual a sua avaliação do processo?

Delegado Eguchi: Concorri apenas duas vezes. Em 2018, a convite de Bolsonaro, eu fui candidato a deputado federal pelo PSL. Sem dinheiro, sem televisão e sem orientação política, nós ainda conquistamos mais de 53 mil votos. Já em 2020, fui candidato a prefeito de Belém, a pedido dos conservadores. No primeiro turno, nós derrotamos a máquina do governo e a máquina da prefeitura. Quem ganhou não foi o Delegado Eguchi, foi o eleitor, que viu que tem força para eleger o candidato que quer e não o candidato imposto pelas oligarquias políticas. Ganho maior foi o da população, essa é a minha análise.

Debate Carajás: Que rumos o senhor planeja dar ao PSL no Pará?

Delegado Eguchi: Nós assumimos o PSL há menos de um mês. Estamos reformulando todo o partido diante da forte ligação do antigo presidente [Manoel Veloso] com governador Helder Barbalho. Agora nós somos uma oposição responsável ao que aí está. Brigamos contra a política que achamos nociva para o nosso estado. Apoiamos, claro, as decisões favoráveis à população.

Debate Carajás: Como o senhor encontrou o partido?

Delegado Eguchi: Fizemos uma auditoria no partido e constatamos muitos problemas das gestões anteriores. Manoel Veloso recebeu R$ 2 milhões de fundo eleitoral e não elegeu nenhum prefeito. Em todo o estado, conseguiu emplacar apenas oito vereadores, sendo um em Marabá. Estamos tentando resolver os problemas de modo a deixar o partido limpo para receber fundo partidário e montar uma equipe que nos leve à vitória em 2022. Inclusive, estamos agregando nomes muito bons devido à confiança que transmitimos nas eleições.

Debate Carajás: Há indícios de malversação dos recursos do fundo partidário por Manoel Veloso?

Delegado Eguchi: De fato, nós encontramos o partido com problemas crônicos. Por exemplo, teve uma candidata de Redenção que recebeu R$ 9 mil do fundo eleitoral e não teve votos. Nem o próprio voto a candidata recebeu. Já estamos tomando as medidas administrativas, afastando todo o pessoal que participou da campanha. As medidas jurídicas também serão tomadas. Os recursos públicos têm de ser tratados com seriedade. A partir de agora o PSL é uma empresa que cobra metas de desempenho. Não admitiremos negociações de bastidores. Transparência é a palavra de ordem.

Debate Carajás: O Palácio dos Despachos está a seu alcance em 2022?

Delegado Eguchi: Serei candidato em 2022 com toda certeza. A única indefinição é o cargo. Isso dependerá muito da conjuntura política que encontrarmos daqui a dois anos. Quem deve decidir é a população. Em 2022, faremos pesquisas de opinião e, se realmente o nome estiver bem cotado, lançaremos candidatura. Pretendemos reunir com as lideranças políticas e empresariais e com a sociedade civil organizada para apresentar o nosso projeto.

Debate Carajás: Qual será o tom da sua oposição a Helder?

Delegado Eguchi: Somos oposição à família Barbalho, não tenha dúvida. Helder não soube lidar com o poder. Achou que o estado era parte da sua casa ou de sua propriedade e poderia fazer o que bem entendesse com o dinheiro público. Isso não pode ser aceito pela população. Nós, enquanto oposição, lutaremos com um projeto sério, propondo melhorias para todas as regiões do estado. É isso o que nós defendemos.

(Vinícius Soares/Debate Carajás)

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