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Durante a páscoa, cacau da agricultura familiar paraense aquece mercado de ovos de chocolate

“Territórios Sustentáveis” incentiva a produção em regiões do estado. No Pará, cerca de 80% da produção de cacau vêm de pequenas propriedades baseadas na agricultura familiar.

O mercado brasileiro de ovos de Páscoa está cada vez mais aquecido pelo Pará, atualmente, o maior produtor nacional de cacau. Matéria-prima do chocolate, o fruto é uma das principais apostas do Estado para o fortalecimento de sua bioeconomia e para a implementação de uma política ambiental voltada para o desenvolvimento socioeconômico aliado à redução da emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE).

O cacau é uma planta nativa do bioma da Amazônia, que além de impulsionar a economia local, contribui para restauração florestal e recuperação de áreas degradadas e de passivos ambientais para regularidade dos imóveis rurais. Como forma de apoiar a produção agrícola sustentável no Pará, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) direciona ações do Programa Territórios Sustentáveis, um dos componentes do Plano Estadual Amazônia Agora (PEAA), a política ambiental do estadual, para a agricultura familiar, realizada por pequenos produtores. 

A produção de cacau está historicamente concentrada em pequenas unidades rurais de produção, com média de até 3,5 hectares, responsáveis por 95% da produção global, de acordo com dados da International Cocoa Organization-ICCO (Organização Internacional do Cacau). No Brasil, a maioria da produção de cacau, 52,7%, tem área inferior a 10 hectares e 80,4% são da agricultura familiar, segundo o mais recente Censo Agropecuário de 2017 (IBGE, 2017). Esta estrutura dominante de agricultura familiar gera menor concentração de renda e menor impacto ambiental. No Pará, cerca de 80% da produção de cacau vêm de pequenas propriedades baseadas na agricultura familiar.
 
Por intermédio do Plano Estadual Amazônia Agora (PEAA), o Governo do Pará estimula o desenvolvimento da bioeconomia, incentivando produtos agroflorestais de potencial lucrativo maior do que atividades que degradam a floresta. Produtos como o cacau se destacam e possuem grande potencial produtivo em um modelo de plantio sustentável. E a cultura do cacau é considerada de alta importância ambiental, por ser eficiente na proteção dos solos contra agentes de degradação. A relação entre a plantação de cacau e a floresta é benéfica para ambos: o cacaueiro produz matéria orgânica que é rapidamente aproveitada pelo solo, por isso, as plantas cultivadas ao lado do cacau tendem a ser mais férteis. Em contrapartida, as árvores produzem a sombra que o cacau gosta e precisa para se desenvolver.
 
Em sua estratégia de desenvolvimento socioeconômico baseado na bioeconomia, o Governo do Pará estimula uma produção de base florestal, próxima à realidade da região. Segundo o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará, Mauro O’de Almeida, o objetivo é o estabelecimento de um modelo sustentável de desenvolvimento.

“Nós acreditamos na força transformadora da bioeconomia para gerar empregos e renda em um processo capaz de se manter ao longo do tempo. No manejo da floresta, colocamos em prática o velho ditado que diz que a floresta em pé vale muito mais do que derrubada. Neste sentido, é fundamental o desenvolvimento de culturas como a do cacau”, afirma o titular da Semas.
 
Verticalização

Um dos exemplos de agricultura familiar que fortalece a produção de cacau paraense é a empresa Filhas do Combu, que produz cacau e chocolate. A produção começou  em 2006 por iniciativa de Izete Costa, a Dona Nena, a partir de cacaueiros que cresciam de forma endêmica no quintal de sua casa, na ilha do Combu. Após comercializar o cacau para empresas de chocolate, Dona Nena passou a beneficiar o cacau e, hoje, a sua produção de chocolate e de brigadeiros gira em torno de 30 a 50kg por mês. 

Foto: Ascom / SEMAS

Mário Carvalho, gerente do Filhas do Combu, afirma que o processo de verticalização é fundamental para a produção das marcas regionais e para o desenvolvimento da bioeconomia paraense.

“Nós acreditamos que o cacau contribui bastante para o desenvolvimento da bioeconomia no Pará, principalmente a partir do momento em que ele é verticalizado aqui mesmo na Amazônia. O trabalho que a gente desenvolve no Combu, chegando ao chocolate fino, é mais importante do que somente ter o cacau. Chegar ao produto final e transformar Belém num destino regional e nacional dos chocolates é a forma que a gente entende que o cacau contribui para a bioeconomia, quando ele consegue gerar riqueza aqui, atraindo turistas para cá”, afirma o gerente.
 
Líder nacional

O Pará conta com cerca de 30 mil produtores de cacau, com uma produção de destaque em protagonismo em 29 municípios. Além de ser uma cultura agroflorestal, o cacau paraense mantém há dois anos a liderança na produção nacional, em acirrada disputa com a Bahia, sendo assim um dos produtos de maior potencial econômico da bioeconomia paraense.

De acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do Sistema IBGE de Recuperação Automática – SIDRA, a safra paraense foi de 146.409 toneladas em 2021, contra 145.120 da produção baiana.

O Pará lidera a produção brasileira com uma produtividade média de 977 quilos por hectare, quase o dobro da média nacional, de 520 kg/ha, e bem maior que a média mundial de 550 kg/ha. O município de Medicilândia, da Região de Integração do Xingu, é o principal produtor de cacau no estado, com mais de 44 mil toneladas produzidas anualmente, que correspondem a 34,69% da produção paraense. Em segundo lugar está Uruará, com mais de 17 mil toneladas, cerca de 13% da produção estadual. Em seguida estão Anapu, Brasil Novo, Placas, Altamira, Vitória do Xingu, Senador José Porfírio, Tucumã e Pacajá.

Após o início da implementação do programa Territórios Sustentáveis (TS), o Estado passou a introduzir a produção de cacau a outros municípios e regiões. Uma das estratégias que está sendo executada é a “Ação Cacau no Xingu”, que implementa cerca de 450 hectares de sistema agroflorestais (SAFs) com o plantio de cacau na região para garantir desenvolvimento socioeconômico com apoio aos pequenos produtores e agricultores familiares. O objetivo é aumentar a renda e a atividade do produtor rural e fazer a restauração florestal de forma produtiva. 

Foto: Ascom / SEMAS

Na Região de Integração do Araguaia, o programa também estimula o desenvolvimento de sistemas agroflorestais de cacau com ação de campo que atende 550 produtores rurais. Segundo o secretário de Agricultura do município de Xinguara, da Região de Integração do Araguaia, Fábio Queiroz, a produção de cacau que está sendo introduzida na região por intermédio do Programa Territórios Sustentáveis representa esperança de geração de renda para os pequenos produtores da região.

“O que a gente vê agora com essa nova estrutura que está sendo implementada, é o estado realmente participando efetivamente da agricultura, principalmente da agricultura familiar. O cacau está sendo introduzido em nosso município graças a esse programa do Territórios Sustentáveis. Xinguara sente-se muito agradecida ao Governo do Estado. Porque nós vamos colocar o cacau como fonte de renda e é uma fonte de renda bem viável, dá mais lucro que o gado a bovinocultura, então nós estamos com tudo.”

Já o prefeito de Redenção, Marcelo Borges, festeja o apoio do Governo do Estado à produção de cacau no município. “Aqui em Redenção queremos parabenizar o olhar de incentivo à produção de cacau em nossa região. Além de ajudar o nosso meio ambiente, para voltar a dar vida a nossa região degradada, este tipo de incentivo favorece a nossa economia”, completa.
 
Um dos eixos do Plano Estadual Amazônia Agora (PEAA), o programa Territórios Sustentáveis é coordenado pela Semas e conta com uma força-tarefa para o desenvolvimento de suas ações, formada pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), pelo Instituto de Terras do Pará (Iterpa), pela Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio), pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), pelo Banco do Estado do Pará (Banpará) e pela Semas.

Fonte: Agência Pará / Por Aline Saavedra (SEMAS)

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